quarta-feira, 13 de junho de 2007

Leitura Digestiva (#3)

Nota: A expressão "Leitura Digestiva" diz respeito aos livros que costumo ler muitas vezes ou aqueles livros que aprecio tanto, que acabo por, independentemente do tamanho destes ou do tempo disponível, me envolver na leitura deles, levando-os para todo o lado e aproveitando toda a ocasião para os ler, até que os acabe (quem me conhece melhor e/ou já passou férias comigo já está habituado a ver-me com o 'tijolo' atrás, sendo que não é de todo invulgar passado dois, três dias, já ter mudado de exemplar...).

Antes de mais, como ainda não actualizei o blogue, ainda não surge uma barra lateral com os posts referentes ás rúbricas que eu mantenho no mesmo, sendo que, actualmente, estas são duas: a Sondagem do Bernas (de momento parada) e a Leitura Digestiva (que tem neste post a sua 3ª edição). A seu tempo, isso passará a suceder.

Por isso mesmo, para a 1ª e 2ª edições da Leitura Digestiva:

- Leitura Digestiva #1: aqui.

- Leitura Digestiva #2: aqui.


Desta vez, são os Hunos, e este livro, de Michael Curtis Ford, que merecem a minha atenção. Por não possuir net (de momento) e por me encontrar radicado no Guincho, ainda não digitalizei a capa do mesmo, sendo que, por isso, a capa que vêem é a capa original. "A Espada de Átila", "The Sword of Attila" no original, é, basicamente, a história de uma batalha, um massacre que preservou o Império Romano do Ocidente, que o salvou do destino que, décadas depois, este encontraria, a batalha de Challons.

Toda a história que nos é contada remete inexorávelmente para este momento, para o confronto entre dois homens, Flávio Aecio, comandante supremo das legiões e Átila, o Huno, que decidiria a sorte de dois impérios.

Pela mão de Curtis Ford conhecemos duas realidades distintas, e observamos o crescimento e o choque de duas personalidades, dois indivíduos que, a dada altura, são mais do que potênciais rivais, são amigos, partilhando a mesma sorte (pois são refens que passam tempo no Império e na Corte dos Hunos, respectivamente), mas sempre cientes de que um dia, mais tarde ou mais cedo, poderiam enfrentar-se, no campo político ou no de batalha, numa altura em que era muito comum a mistura entre os dois...

Apesar de não ser muito conhecida, a batalha de Challons constituiu um dos maiores massacres que a história de Roma, antes e depois da formação do Império, conheceu. Do resultado desta, determinou-se o futuro não só do mundo ocidental, que na altura estava prestes a assumir o seu ponto de ruptura perante as invasões bárbaras, mas também do Império Romano do Oriente, que sobreviveria tanto a Átila como à própria queda do Ocidente.

Assim, aquela que é a história de uma batalha, de dois homens e das suas vidas, transforma-se num resumo daquilo que eram duas concepções de sociedade, a romana e a bárbara, e culmina num momento, a 451 D.C., em que estas se defrontam, determinando o resultado não só o destino da Europa mas também o da civilização como a conhecemos.

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